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terça-feira, 1 de abril de 2014

Dia Internacional da Diversão no Trabalho e Mês Nacional do Humor



Abril é mesmo um Mês muito especial! 

Você sabia que hoje, dia 01 de Abril é o Dia Internacional da Diversão no Trabalho? E que Durante todo o mês comemora-se o "Mês do Humor"? 
Por isso, aproveite para implementar em sua empresa e em sua casa, atividades que envolvam o humor e o riso e anote os resultados. Perceba o quanto fará seus colaboradores e a sua família mais feliz!

Divertir-se é viver de forma saudável e com qualidade de vida. Sentir-se bem e estar bem reflete-se automaticamente em nossa produtividade. 

Por que será que muitas empresas e líderes ainda não perceberam que um ambiente harmónico, bem-humorado e alegre é capaz de promover maior alegria, dedicação e motivação ao trabalho? 

Para lembrar desta questão importante Larry Wilde, americano, diretor do Instituto de Humor Carmelo criou, em Abril de 1976, o mês Nacional do Humor com o objetivo  de alertar a consciência pública sobre a forma como a alegria e o valor terapêutico do riso podem melhorar a saúde, aumentar a autoconfiança, a produtividade e a capacidade de comunicação, criar o espírito de equipa, ter sucesso e enriquecer a qualidade de vida das pessoas.

Larry Wilde dizia: "Por que usar o humor na vida diária? A resposta é simples. Porque você obtém resultados imediatos. Não é preciso talento ou habilidade especial, nenhuma força física, você não é obrigado a ter um mestrado ou uma licenciatura. O humor faz você se sentir bem e é divertido."

A equipa da Playfair criou em 1996  o Dia Internacional da Diversão no Trabalho (dia 01 de abril) um dia alegre e brincalhão, mas absolutamente sério, com  a intenção de aumentar a consciencialização sobre os benefícios de uma atitude lúdica no ambiente de trabalho.

Neste dia da Diversão no Trabalho ou durante o mês (bom é ser todo o ano!) o importante é usar a criatividade e realizar atividades diferentes na empresa: 
  • dançar com a equipa de trabalho; 
  • sessão de cinema;
  • murais divertidos com textos bem-humorados e recados para os colegas; 
  • usar acessórios e roupas engraçadas;
  • levar o cão para o trabalho; 
  • oferecer mimos e elogios aos colegas de trabalho;
  • realizar jogos e brincadeiras para fortalecer a cooperação e a união da equipa;
  • surpresas em e-mails engraçados;
  • jornais internos com matérias relacionadas aos benefícios do humor, otimismo e alegria;
  • lanche partilhado;
  • reunir a equipa para trabalho voluntário;
  • terapia do riso e "corrente de sorrisos"... entre muitos outros... 

A Playfair adverte: "somos defensores do humor não-tóxico, ou seja, o humor que não humilha, não é sarcástico, nem discrimina pessoas, raças ou grupos."  

E então? Por que alinhar com a proposta de Diversão no Trabalho?

Vivemos tempos difíceis onde a insegurança e o medo diante dos aspectos práticos da vida (sobrevivência, emprego, relacionamentos) afetam de forma negativa a vida emocional dos indivíduos, a saúde e as relações entre as pessoas.


Observamos, neste contexto, o aumento significativo dos casos de depressão e o uso de antidepressivos de forma indiscriminada; bem como o aumento de absentismo laboral devido aos transtornos psicológicos e níveis elevados de sintomatologia de Stress. 

O stress sai muito caro para ser ignorado e em Portugal é a terceira maior causa de baixa no trabalho. Este cenário, alerta-nos para a necessidade das empresas  intervirem de maneira mais eficaz na prevenção e promoção de saúde de seus colaboradores.  

Para preencher esta lacuna surge a Gestão do Humor nas Empresas! 
Interessante não é? 


O Humor e o riso são ferramentas eficazes para a gestão do stress. Ajudam a passar do estado simpático (stress/alerta) para o estado parassimpático (descontraído, relaxado). 

"O Riso relaxa o corpo e a mente, fortalece o sistema imunológico e baixa o nível de cortisol combatendo melhor o stress e as insónias, melhora a circulação e a pressão arterial e libera endorfina, hormona que promove uma sensação de bem-estar geral” (Lambert, 1999)

Uma pesquisa realizada em dezembro de 2006, com 50 profissionais de TI em Bangalore, na Índia encontrou uma redução significativa nos níveis de stress pela redução dos níveis de cortisol na saliva. 

(http://media.laughteryogaamerica.com/pdf/ly-business-impact-australian-study.pdf)

 "O impacto psicológico de Yoga do Riso: Resultados de um programa de um Mês de Yoga do Riso em uma empresa em Melbourne" 
(http://www.media.laughteryogaamerica.com/pdf/india-laughter-study-summary.pdf)


Daniel Goleman, em entrevista ao The New York Times, afirmou que "o humor pode ajudar na resolução de problemas, bem como contribuir para melhor criatividade nos negócios". 

David Abramis, psicólogo da Escola de Administração de Empresas na Universidade Estadual da Califórnia em sua pesquisa com 382 pessoas de diversos locais de trabalho, descobriu que "aqueles que sentiam que seu trabalho era divertido obtiveram melhor desempenho e melhor se relacionavam com seus colegas de trabalho, diferente daqueles que estavam satisfeitos com seus empregos, mas não o sentiam tão divertido." 

Estamos a entrar em uma nova era: as corporações estão contratando Consultores do Humor!  Ainda bem!  
Estou aqui para auxiliar no percurso do Humor e do Riso em sua empresa! 

"O riso é a força mais potente e construtiva para aliviar as tensões geradas pelo trabalho".  

Uma gestão baseada na filosofia da alegria, do humor e do riso é capaz de promover inúmeros benefícios para a empresa, colaboradores e clientes. O prazer no trabalho é essencial para o crescimento criativo, o desenvolvimento inovador e um empreendimento feliz. 

Aguardem que no próximo post, darei algumas dicas de Gestão do Humor nas empresas!!! 

O mês está só a começar!!! Um bom mês de Diversão no trabalho!!!

Se quiser fazer algo diferente em sua empresa, entre em contato: evelcarvalho@gmail.com 


segunda-feira, 31 de março de 2014

Florescer!


ContoTerapia - Mini-Conto "Fátima, a Fiandeira"


(para assistir ao video clique no título do post)

Ana Luísa Lacombe - Contadora de Histórias, nos mostra um belo conto a revelar a construção de Felicidade através de experiências mais dolorosas... sim é possível! Quando colocamos na bagagem as aprendizagens realizadas e as utilizamos em momentos decisivos estamos sentindo realização e felicidade.
Como anda a sua bagagem? 

sexta-feira, 28 de março de 2014

BEM VIVER COM OTIMISMO

Dou início a este artigo a rir! Sim, a rir de mim mesma e da situação que gerou desconforto: a avaria do computador e a perda de alguns arquivos que ainda não estavam com cópia. Esta é uma das grandes aprendizagens que fazemos com a “Filosofia do Riso”, que anda de mãos dadas com o otimismo, que é a capacidade de dar “tons” diferentes para uma experiência. Através do humor e do riso conseguimos gerar um estado de bem-estar mesmo diante das adversidades e de eventos que geram stress negativo e, com o otimismo, mobilizamos a nossa energia para a “reflexão-ação” em busca de novas soluções e melhores resultados no futuro. E aqui estou eu, novamente a escrever com a alegria!
Ter uma atitude mais pessimista ou otimista faz toda a diferença para uma melhor qualidade de vida
Observamos que o acumular de situações negativas e estressantes no dia-a-dia e a falta de estratégias eficientes para geri-las provocam, em todos nós, um desequilíbrio interno e externo (psicológico/físico/relações interpessoais). A sensação de cansaço e a falta de energia são resultantes de um conjunto de fatores: má alimentação; falta de exercício ou prática de desporto; pouca realização de tarefas ou atividades que nos são agradáveis; ambiente de trabalho ou familiar estressante; avaliação negativa e pessimista de nós mesmos e dos momentos de crise; alta competitividade e pouca solidariedade; receio pelos rumos económicos do país, entre outros.
Acabamos por adoecer mais vezes, a tristeza e a ansiedade nos acompanham, na maior parte do tempo, a desmotivação e a depressão surgem e tantas outras reações e emoções de cariz mais negativos aparecem como alertas de que não nos encontramos saudáveis, equilibrados, nem felizes.
Os desafios são, afinal, oportunidades de crescimento.
E como fazer para a conquista da satisfação pessoal e uma melhor perceção de bem-estar e felicidade?
De entre as várias alternativas, comecemos por avaliar a nossa atitude diante da vida. Costumamos considerar que as mudanças não dependem de nós (e sim do patrão, do governo, do marido…) e que, no fundo, somos vítimas de um sistema que não nos permite alterar em nada a realidade? Pensamos que já tentamos de tudo e, que mesmo assim, fracassamos? E que, por estes motivos, estamos sempre em baixo e deprimidos? Ou interpretamos a vida de forma a acreditarmos que estamos de posse da vontade e dos meios para atingirmos os nossos objetivos e que tudo resultará da melhor maneira possível ao longo do tempo, pois os desafios são, afinal, oportunidades de crescimento?
Ter uma atitude mais pessimista ou mais otimista faz toda a diferença para uma melhor qualidade de vida e experiências de bem-estar. O indivíduo com um estilo explicativo mais pessimista sente-se incapaz de regê-la, sente-se impotente, crê que nada pode fazer para melhorar, é fatalista, por vezes apático, não lida bem com as próprias emoções, tem medo constante, rumina os pensamentos, mostra-se sem forças – costuma estar doente várias vezes e possui maior tendência a estar deprimido.
Já o indivíduo com estilo explicativo mais otimista possui uma expectativa generalizada de que bons resultados ocorrerão no futuro e utiliza as forças e as virtudes, como a resiliência, a persistência e o esforço, para alcançar seus objetivos. Possui melhores relações interpessoais pois é mais cooperativo, empático e autoconfiante. Compromete-se com o cuidado da própria saúde e, por isso, alcança maior longevidade.
É possível aprender ou desenvolver uma visão mais positiva? Claro! Muitos são os meios a serem utilizados para o florescimento humano. Martin Seligman (2011) aponta que para “florescer” é importante que o indivíduo possua (ou desenvolva) as características listadas abaixo: 



Características Nucleares
•Emoções positivas (felicidade, satisfação com a vida, alegria, prazer, êxtase)
•Envolvimento (fluxo)
•Significado, propósito de vida (pertencer e servir a algo que acreditamos ser maior do que nós)
•Realização Pessoal

Características Adicionais
•Autoestima
•Otimismo
•Resiliência
•Vitalidade
•Autodeterminação
•Relações positivas

Muitos caminhos podem ser escolhidos para o “florescimento” e o desenvolvimento de uma atitude mais harmoniosa e equilibrada perante si mesmo e o mundo.  A Psicologia Positiva, enquanto ciência que estuda os fatores e processos que conduzem à otimização do funcionamento humano, nos fornece bases teórico-práticas para o trabalho com o indivíduo e com os grupos.   Fomentar o otimismo e a atitude positiva, destacar os pontos fortes (“o que temos de melhor”),  prevenir estados de doença reforçando a resiliência e alterar atitudes em direção a estilos de vida mais saudáveis é o nosso desafio e trabalho.

Com o foco nestes pilares e na promoção e manutenção da saúde física e mental, iniciei em maio do ano passado o Clube do Riso Arte de Bem Viver em parceria com a Casa da Juventude de São Mamede, Matosinhos com o objetivo de proporcionar à comunidade momentos de bem-estar e alegria, de desenvolvimento pessoal, de prática de exercícios através do movimento corporal, de construção de relações positivas e afetivas e do convívio sadio. O Clube do Riso é uma série de encontros/vivências com a prática da Yoga do Riso, com exercícios de respiração e de relaxamento, através da troca participativa de saberes. Conta com a utilização de mediadores lúdicos: dinâmicas de grupo, jogos, música e dança, como facilitadores do desenrolar positivo e afetivo dos temas e das vivências. O Clube do Riso conta com a participação de 25-35 “risonhos” mensais, de variadas faixas etárias. Realizamos ações sociais em Lares e em outras instituições, atividades ao ar livre, cinema comentado e procuramos construir uma “rede de apoio” entre os elementos do grupo.

O riso – expressão máxima do bem-estar e otimismo- é um “medicamento” 100% orgânico, gratuito e contagiante, idealizado pela fisiologia humana para ser consumido sem moderação.
“Ele relaxa o corpo e a mente, fortalece o sistema imunológico e baixa o nível de cortisol combatendo melhor o stress e as insónias, melhora a circulação e a pressão arterial e libera endorfina, hormona que promove uma sensação de bem-estar geral”
 (Lambert, 1999)
O riso faz parte do circuito aberto – responsável pelo contágio das emoções. O cérebro possui circuitos específicos para detetar risos e sorrisos e fazer-nos ter a reação de também rir, promovendo uma onda emocional de harmonia.
(Goleman, Boyatzis & Mckee, 2002)
 O riso favorece o desenvolvimento de uma Atitude Mental Positiva (AMP); proporciona às pessoas a energia necessária para vencerem as adversidades da vida de forma mais saudável e facilita a conquista do crescimento e sucesso pessoal.

O riso é uma experiência orgânica total em que participam todos os principais sistemas, como o muscular, o nervoso, o cardíaco, o cerebral e o digestivo. O efeito físico global do riso produz-se em duas etapas:
1)   Primeira etapa: estimulação da saúde
2)   Segunda etapa: relaxamento profundo
  • O riso é universal
  • É uma reação psicofisiológica
  • É um meio de comunicação
  • Promove efeitos positivos
O Riso como meio de comunicação:                                              
  • Favorece o acordo
  • Promove a colaboração
  • Abre espaço para a escuta ativa
  • Gera ambiente de ressonância (harmonia)
  • Ajuda a desenvolver a empatia
Benefícios do riso
  • Proporciona relaxamento físico e mental;
  • Regula o sono;
  • Ajuda na digestão;
  • Ajuda a passar do estado simpático (stress/alerta) para o estado parassimpático (descontraído, relaxado);
  • Aumenta os níveis de oxigénio no corpo e libera endorfinas (efeito analgésico; hormonas que aliviam a dor e provocam uma agradável sensação de bem-estar);
  • Aumenta a resistência física através da estimulação do sistema imunitário; aumento das células T – combate às infeções;
  • O Riso ativa o sistema cardiovascular;
  • Fortalece os músculos torácicos e abdominais;
  • Prevenção/tratamento de estados depressivos, liberta serotonina (antidepressivo natural);
  • Aumenta a criatividade e o humor;
  • Facilita a expressão das emoções;
  • Promove maior capacidade de reter e relembrar informação;
  • Desenvolve a autoconfiança;
  • Estimula emoções de cariz mais positivo, como a alegria e o entusiasmo;
  • Melhora as relações humanas no geral.
Partilho convosco alguns depoimentos dos participantes do Clube:
S.R: “Tenho tudo de bom a dizer sobre a experiência de participar no clube do riso, foi mais um passo na minha mudança, na vontade que tinha de conhecer novas pessoas, de fazer parte de um grupo, de deixar de viver só para a família, de ter amigos, de aprender a rir. Sempre tive vergonha do meu sorriso, por isso escondia-o, convosco aprendi a sorrir sem medo de julgamentos. O clube do riso traz-me boa energia, sentimento de paz, de alegria, de promover bem-estar a mim e ao outro. Pude começar a fazer bem pelos outros nas nossas ações solidárias.”
C.M: “Para mim, participar no Clube do Riso é uma experiência fantástica. Durante as sessões experiencio sensações de bem-estar, calma, paz e união com as pessoas ao meu redor. Estas sensações, refletem-se na minha vida pessoal e profissional, na maneira como olho para as coisas ao meu redor. Quando estou numa sessão do riso, normalmente, todas as emoções vêm ao de cima, sejam de alegria ou de tristeza. Consigo “desabafar” sentimentos reprimidos e sentir-me em paz comigo própria. Acho fantástica a forma como nos comunicamos enquanto grupo e nos damos uns aos outros.”
Participar de atividades que promovam a integração entre as pessoas e a socialização diminuindo a solidão, com o foco nos pontos fortes, alterando a perceção de si mesmo e do mundo, a perceção de controlo e maior direção sobre a própria vida, o sentimento de utilidade em seu meio social e a partilha de afetos é altamente transformador! Experimente! Procure um Clube do Riso e Seja Feliz!

Referências:
Goleman, Daniel (2002) Os Novos Líderes. Inteligência Emocional nas Organizações. Editora Gradiva.
Lambert, Eduardo (1999) A Terapia do Riso. Editora Pensamento.
Seligman, M.E.P (2011) A Vida que Floresce. Editora Estrela Polar.

Espalhar a Alegria de Viver - Prevenir o Suicídio



Ah, meu amigo querido

Alguns versos vou te ofertar
Torcendo pra que minhas palavras
Possam te iluminar
E mude a tua opinião
Não tire a tua vida não
Eu vou te ajudar!
Pra começo de conversa
Quero confraternizar
Sei que a tua dor é grande
Mas estou a te escutar
Aqui tens um ombro amigo
Então escuta o que eu digo
Que tudo irá melhorar (…)
Mude a tua referência
Deixe de se lamentar
Encare os problemas de frente
Que tudo irás superar
Porque força você tem
E contas com auxílio do Bem
E de amigos a te amparar
E assim pouco a pouco verás
Sua dor cicatrizar
Ao usar esse remédio
Poderoso e salutar
De muita capacidade
Que se pode tomar à vontade
E esse remédio é amar”.
(autor desconhecido)
Olhamos à nossa volta e observamos o sofrimento das pessoas. Variadas são as causas atribuídas: desemprego, enfermidades, morte de familiares, conflitos íntimos, depressão, divórcios, violência, crimes sexuais, miséria, exclusão social, abandono, entre outros. Constatamos, em todos estes casos, o estado de desespero, de desesperança, a sensação de vazio, angústia e desamparo que se prolongam no tempo e geram efeitos negativos, comprometendo o equilíbrio e bem-estar dos indivíduos.
A falta de perspetiva em uma vida melhor e a falta de estratégias intrínsecas e extrínsecas para lidar com as situações desafiadoras da vida fazem com que parte da população, em vulnerabilidade física e psicológica, alimente as ideias suicidas. Pouco a pouco, como uma semente que cresce lentamente em exposição ao sol e à rega, as ideias de auto lesão ou suicidas vão “brotando e crescendo” ao longo das experiências dolorosas e acabam por ganhar força. Para muitos, a morte, que é uma situação permanente, apresenta-se como a única solução viável para eliminar uma dor considerada intolerável e que, na maior parte das vezes, é decorrente de uma situação transitória.
O meu objetivo neste artigo não é tecer julgamentos. Não é dizer o que é certo ou errado. Cada um tem a sua dor e cada dor é única. Meu objetivo é partilhar reflexões acerca do nosso papel e da posição da sociedade diante destes fatos.
  •  Será possível aliviar a carga de alguém?
  •  É possível abrir novos horizontes para aqueles que só enxergam um único caminho?
  •  Conseguimos auxiliar uma pessoa na construção de novos projetos de vida?
  •  Temos a capacidade de confortar alguém em desespero através do nosso sorriso e abraço?
  •  Conseguimos nos organizar enquanto sociedade para exigir ao poder político melhores ações e projetos na área de Saúde Mental?
  •  Posso ser um empreendedor social e melhorar as condições de vida de um pequeno grupo, vizinhos, amigos ou desconhecidos?
  •  Sei perceber os sinais daqueles que estão a alimentar as ideias suicidas e atuar de forma a colaborar com ele?
Qual o nosso posicionamento diante de tudo isto? Enquanto uns se sentem impotentes perante este cenário, eu penso que há muito que se pode fazer para iluminar o caminho daqueles que precisam de mais uma oportunidade para (re)encontrar a Esperança. Cada pequeno gesto A.C.E.D.A – Atenção, Compaixão, Escuta, Disponibilidade e Afetividade, de muitas pessoas, poderá aceder e reacender a pequenina chama de Vida que ainda resta no Ser Humano e fazê-la crescer! O gesto A.C.E.D.A, não só pode salvar a vida de alguém, como pode proporcionar melhor e maior saúde física e mental a nós próprios. Cultivar estados mentais positivos como a generosidade e a compaixão decididamente conduz a uma melhor saúde mental e à felicidade.

Compreendendo o sistema A.C.E.D.A (*)

A

– Atenção às necessidades do outro e às suas emoções. Atenção aos sinais: afastamento dos amigos e da família; mudanças de humor e comportamento; tendência ao isolamento e ao distanciamento das atividades que geram prazer; preparativos “suspeitos” em deixar papéis em ordem e postura de despedida aos familiares e amigos; perda da autoestima; aumento do consumo de álcool, droga ou fármacos; distúrbios do sono e automutilação; insucesso escolar. Atenção ao Ser Humano!

C

– Compaixão. O sentido da compaixão neste sistema refere-se à compreensão de que todos têm o direito à felicidade. Neste sentido, surge o desejo de aliviar ou minorar o sofrimento de outro Ser através da ação, procurando compreender os motivos que o levam a escolher o suicídio como única opção. A compaixão-ação procura ajudar o outro a enxergar novos horizontes, incorporar crenças mais otimistas, focar o pensamento em estratégias diversificadas e visualizar novas soluções para os problemas que geram a dor insuportável; estimula o movimento do corpo através dos exercícios físicos e da dança, a expressão através da arte e da música e a capacidade de Sorrir mais, muito mais!

E

- Escutar com atenção, compreensão e respeito. “Quem aprende a ouvir com atenção, aprende a falar com proveito”. Escutar criando Empatia, isto é, percecionando a realidade como a outra pessoa a vê. Escutar, sentindo-se solidário com o outro. Ser um interlocutor ativo e apoiante do outro, fazendo-lhe companhia na sua viagem e ajudando-o a ganhar confiança em si próprio e na sua capacidade de autodeterminação e resolução de problemas. Escutar com atenção aos indícios das ideias suicidas: “não vale a pena viver”, “Quero acabar com tudo”, “Nada mais importa”, “Nada do que eu faça resolve”, “Nada mais tem sentido”, “Não há luz no fim do túnel”, entre outros, para atuar no resgate da Esperança.

D

– Disponibilidade de tempo e presença para a escuta, companhia e acompanhamento. Disponibilidade para “pensar com”, “pensar junto”; disponibilidade para encontrar meios de não deixar o outro sozinho, principalmente em momentos de crise; buscar o apoio técnico e especializado nos vários sistemas de saúde e ajudar ao outro a estabelecer relações de apoio e colaboração com outras pessoas e instituições; disponibilidade para amar!

A

– Afetividade possibilita ao ser humano revelar e demonstrar os seus sentimentos em relação aos outros. Graças à afetividade, as pessoas conseguem criar laços. Toda troca de afeto gera vida. Uma das expressões de afeto que geram altos níveis de bem-estar é o toque, o abraço. Todo corpo que é tocado, acarinhado por um abraço produz hormonas do bem-estar e do relaxamento, reduz a ansiedade e o medo e sente mais segurança e confiança. O abraço consegue evidenciar Três condições essenciais à vida do Ser Humano: o ato de respirar, os batimentos do coração e a troca de afetos! Logo depois vem o sorriso a costurar tudo e a estampar no rosto: Estou vivo e feliz!

O Cenário

A saúde mental é definida como um estado de bem-estar em que cada indivíduo percebe o seu próprio potencial (visão positiva da vida, auto estima), consegue lidar com as tensões normais da vida (resiliência, gestão do stress negativo), pode trabalhar de forma produtiva e frutífera (capacidade de ação e motivação), e é capaz de dar um contributo para a sua comunidade (agir para o bem comum, cooperação). Milhares de pessoas estão bem longe de vivenciar este estado de bem-estar.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) (*1) o suicídio está incluído no leque dos problemas sociais e representa uma das mais importantes questões de saúde pública. Estima-se que todos os anos, quase um milhão de pessoas morrem de suicídio, ou seja, uma taxa “global” de mortalidade de 16 por 100 mil habitantes, ou uma morte a cada 40 segundos. Nos últimos 45 anos as taxas de suicídio aumentaram 60% em todo o mundo. O suicídio está entre as três principais causas de morte entre aqueles com idade de 15-44 anos, em alguns países, bem como a segunda principal causa de morte no grupo de 10-24 anos de idade. Estima-se, ainda, que o risco de suicídio ao longo da vida em pessoas com perturbações do humor (principalmente depressão) é de 6 a 15%; com alcoolismo, de 7 a 15%; e com esquizofrenia, de 4 a 10%. Importante alertar que esses números não incluem as tentativas de suicídio e auto lesão que são até 20 vezes mais frequentes do que o suicídio consumado. Um evento igualmente preocupante.
Em Portugal, na última década, segundo dados do Eurostat (*2), a taxa de suicídio tem oscilado entre 4,5 por 100.000 habitantes em 1999 e 10,3 em 2010, com picos em 2002 (10,1), 2003 (9,4) e 2004 (9,6). À luz dos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o número de suicidas variou entre 519 em 2000 e 1098 em 2010, tendo sido registado 1012 casos em 2011. Os estudos apontam para um aumento em 2012 de mortes por “lesões auto provocadas intencionalmente” em relação a 2011, principalmente na faixa etária acima dos 50 anos de acordo com o INE (*3). De uma forma geral, os casos ocorrem com maior frequência entre os indivíduos do sexo masculino. Há que reconhecer, antes de mais, que o número de suicidas registados não corresponde à realidade, devido à omissão de inúmeros casos e por incorreções na certificação de óbitos.
Vale alertar, que o suicídio também acontece na infância e na adolescência. Estudos indicam que a segunda maior causa de morte entre os adolescentes é o suicídio, sendo a primeira causa os acidentes de viação. “A idade com que as pessoas se suicidam tem vindo progressivamente a decrescer”, existindo “em idades mais precoces, como na infância”, afirmou Maria Manuela Correia da direção do Núcleo de Estudos do Suicídio (NES) (*4).
Diante dos efeitos da crise, do aumento do número de casos de depressão e transtornos mentais e das auscultações aos países, a Organização Mundial de Saúde (OMS) lançou o Plano de Ação Global de Saúde Mental 2013-2020 que contempla uma grande área relacionada à prevenção do Suicídio (*1). A boa notícia é que em Portugal já existe a elaboração do Plano Nacional de Prevenção do Suicídio (*5) que está na sua primeira fase. Cabe a nós, apoiarmos, comprometermo-nos e exigirmos que os planos delineados sejam executados.
Vejam alguns dos objetivos do Plano de Prevenção do Suicídio em Portugal (2013-2017):
  •  Uniformizar a terminologia e os registos dos comportamentos auto lesivos e atos suicidas;
  •  Aumentar os níveis de bem-estar psicológico;
  •  Melhorar a acessibilidade de grupos vulneráveis aos serviços de saúde mental;
  •  Aumentar a acessibilidade aos cuidados de saúde;
  •  Reduzir o acesso a meios letais;
  •  Melhorar o acompanhamento após alta de internamento hospitalar;
  •  Melhorar a informação e educação em saúde mental;
  •  Diminuir o estigma em torno da depressão, ideação suicida, comportamentos auto lesivos e atos suicidas;
  •  Desenvolver a capacidade de agir sobre a depressão e o suicídio nos cuidados primários, através da implementação de novos modelos de intervenção para a depressão;
  •  Sensibilizar os média para a necessidade de aplicação dos princípios definidos para a informação/descrição de comportamentos auto lesivos e atos suicidas;
  •  Aumentar o horário de atendimento de linhas de telefones SOS, através da criação de sinergias e complementaridade entre as existentes;
  •  Formar e desenvolver redes de porteiros sociais na comunidade/autarquia e em contextos específicos para campanhas de esclarecimento e prevenção (p. ex. escolas, Forças de Segurança, prisões);
  •  Contribuir para uma maior racionalização da política do medicamento, particularmente na prescrição de psicofármacos, sobretudo benzodiazepinas e antidepressivos;
  •  Celebrar o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, em 10 de setembro, organizado pela Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio (IASP) e pela OMS e, em Portugal, pela Sociedade Portuguesa de Suicidologia (SPS), com o patrocínio da Direção Geral da Saúde, através do Programa Nacional para a Saúde Mental.

Atenção aos mitos:
Transversais a todo o processo de sensibilização e educação do público surgem os mitos em torno dos comportamentos suicidários, nomeadamente:
  • A pessoa que fala sobre suicídio não fará mal a si própria, apenas quer chamar a atenção.
Falso – Todas as ameaças devem de ser encarados com seriedade. Muitos suicidas comunicam previamente a sua intenção;
  • Os indivíduos suicidas querem mesmo morrer ou estão decididos a matar-se.
Falso – A maioria das pessoas que se suicida conversa previamente com outras pessoas ou liga para uma linha de emergência, o que mostra a ambivalência que subjaz ao ato suicida;
  • Quando um indivíduo mostra sinais de melhoria ou sobrevive a uma tentativa está fora de perigo.
Falso – Na verdade, um dos períodos de maior risco é o que surge durante o internamento ou após a alta. A pessoa continua em risco;
  • Os indivíduos que tentam ou cometem suicídio têm sempre uma perturbação mental.
Falso – Os comportamentos suicidas têm sido associados à depressão, abuso de álcool e outras substâncias psicoativas, esquizofrenia e outras perturbações mentais. A proporção relativa destas perturbações varia de lugar para lugar, havendo, todavia, casos em que nenhuma perturbação foi detetada;
  • Se alguém falar sobre suicídio com outra pessoa está a transmitir a ideia de suicídio a essa pessoa.
Falso – Não se causam comportamentos suicidas por se falar com alguém sobre isso. Na realidade, reconhecer que o estado emocional do indivíduo é real e tentar normalizar a situação induzida pelo stresse são componentes importantes para a redução da ideação suicida.

Contactos:

SOS – 112
Saúde 24 - abordagem clínica no âmbito do atendimento telefónico – 808 24 24 24
SOS – Voz Amiga: 800 202 669, 21 354 45 45, 91 280 26 69, 96 352 46 60
Telefone da Amizade: 808 223 353, 228 323 535, jo@telefone-amizade.pt,
SOS – Estudante: 808 200 204, 969 554 545
Escutar – Voz de Apoio: 225 506 070, sos.vozdeapoio@sapo.pt, Apartado 2533, Vila Nova de Gaia
Conversa Amiga: 808 237 327, 210 027 159
Telefone da Esperança: 222 030 707
Instituto Português de Suicidologia: http://www.spsuicidologia.pt
Clube do Riso Arte de Bem Viver – para alimentar a esperança, a alegria de  viver e o riso - 22 906 9860 - evelcarvalho@gmail.com
Referências:
Fontes: (*) - Sistema A.C.E.D.A – Eveline Carvalho Cunha – Projeto Arte de Bem Viver. *1- Prevenção do suicídio (SUPRE) disponível em: http://www.who.int/mental_health/prevention/suicide/suicideprevent/en/ *2 - EUROSTAT (2013). Statistcs, suicide rates. Disponível em: http://epp.eurostat.ec.europa.eu/portal/pgp_ess/partners/european_union/pt/tab_statistics?c=PT&|PT * 3-  Suicídio é 'solução' para cada vez mais idosos. Por: Notícias Ao Minuto. Disponível em: http://www.noticiasaominuto.com/pais/121241/suicidio-e-solucao-para-cada-vez-mais-idosos#.UoJXwvmpWSo *4- Suicídio: Segunda causa de morte dos adolescentes em Portugal. Disponível: noticias.sapo.pt/info/artigo/1052146‎ - 13/03/2010 AVANCI, Rita de Cássia; PEDRAO, Luiz Jorge  and  COSTA JUNIOR, Moacyr Lobo da. Perfil do adolescente que tenta suicídio em uma unidade de emergência. Rev. bras. enferm. [online]. 2005, vol.58, n.5, pp. 535-539. ISSN 0034-7167. *5- Plano Nacional de Prevenção do Suicídio – 2013-2017 disponível: http://www.portaldasaude.p

quarta-feira, 26 de março de 2014

Florescer em Março... Clube do Riso

(para assistir o video clique no título do post)

Tema deste próximo Clube do Riso: Florescer! É primavera! 
Como florescemos para a vida? Como tenho semeado, em pensamentos e emoções, para garantir uma boa colheita? Venha daí!!!