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domingo, 26 de dezembro de 2010

O Homem e o Tempo

No mundo moderno, parece que o tempo é um artigo de luxo.

São constantes as reclamações a respeito de sua falta.

Muitos se dizem atarefados em excesso.

Incontáveis afirmam que o tempo parece passar cada vez mais rápido.

Envoltos em inúmeros afazeres, sentem-se autênticos reféns da vida.

Essa dificuldade humana para bem administrar o tempo não constitui algo novo.

O Espírito Emmanuel, mentor de Francisco Cândido Xavier, já tratou dela.

Certa feita, ele afirmou que o tempo não passa pelo homem, mas que o homem, sim, passa pelo tempo.

A diferença pode parecer sutil, mas é muito importante.

Quando se está parado e algo passa, surge uma certa sensação de lerdeza ou imobilidade, pois não se consegue acompanhar o que vai adiante.

O fenômeno apresenta-se diferente quando é o homem que passa e segue em frente.

Segundo o dizer de Emmanuel, é justamente isso que ocorre em relação ao tempo.

O homem é que se movimenta e direciona o seu viver, ao longo do tempo que lhe é dado.

Sendo assim, ele é quem dita o ritmo de sua vida.

Essa imagem feliz procura desvincular o ser humano de um sentir deletério em relação ao fenômeno temporal.

Ela busca capacitá-lo para viver em plenitude o momento presente.

Sem remorsos pelo que já foi.

Se erros foram cometidos, é necessário corrigi-los, mas de nada adianta escravizar-se ao passado.

Também evita ansiedades pelo que ainda será.

O importante é fazer o melhor no tempo presente.

Desfrutá-lo, em suas inúmeras possibilidades.

Ter ciência de que cabe ao homem disciplinar o próprio viver.

A mídia por vezes trabalha contra isso.

Ela passa a impressão de que o relevante é comprar muitas coisas, frequentar certos locais, distrair-se até a exaustão.

Habitualmente se afirma que o tempo é de ouro, ou que tempo é dinheiro.

Dependendo do enfoque, as assertivas são verdadeiras.

É preciso mesmo dar destinação útil ao próprio tempo.

Mas de forma equilibrada, sem se converter em escravo de atividades que se multiplicam de modo desnecessário.

E também sem se permitir torturar pelo que já foi ou pelo que virá.

Desfrutar o momento que se vive.

Se é horário de trabalho, trabalhar com serenidade, sem se angustiar pelo que ocorre em outros ambientes.

Em casa, desfrutar em paz da companhia da família.

Em momentos de estudo, apenas estudar.

Para viver em paz em meio às tormentas do mundo, é preciso tornar-se senhor do próprio tempo.

Eleger o que merece dedicação em dado instante e fazê-lo com serenidade.

Como disse Jesus, o dia de amanhã cuidará de si mesmo.

Se o hoje for bem vivido e aproveitado, certamente o amanhã será pacífico.

Pense nisso.

Redação do Momento Espírita. Em 07.12.2010.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

O tempo cura tudo!


Era uma vez um passarinho que morava num ninho no alto de uma mangueira. Quando a mamãe passarinha saía cedinho para procurar alimento, falava:


- Ó filhinho, não saia do ninho. Você ainda é um filhotinho, pode cair lá embaixo e se machucar.
Mas o passarinho morria de vontade de dar as suas voadinhas, experimentar as suas asinhas cheias de peninhas. Experimentou uma vez. Experimentou a segunda. Quando experimentou a terceira, caiu e quebrou uma asa. Saiu, andando pelo chão, arrastando a asa, procurando uma ajudinha.


- Ó minha amiga vaquinha, conserte a minha asinha, que eu quebrei dando uma voadinha.
A vaquinha, muito mal-humorada, disse que não entendia de asas. O passarinho continuou o seu caminho, arrastando a sua asinha quebrada. Até que encontrou um cavalo e pediu ajuda de novo, coitadinho.


- Ó meu amigo cavalinho, conserte a minha asinha, que eu quebrei dando uma voadinha.
O cavalo relinchou e disse que não consertava asas. Não era veterinário.
E lá se foi o passarinho andando, pedindo ajuda a todo mundo que encontrava, ouvindo sempre o mesmo. Até que encontrou um rio, muito transparente, e parou para beber água.


- Ó meu amigo riozinho, conserte a minha asinha, que eu quebrei dando uma voadinha! E o rio de águas claras cantarolou:
- Bote aqui a sua asinha bote aqui no leito meu e depois não vá dizer que você se arrependeu.


E com todo cuidado, enfaixou a asinha do amiguinho, sorrindo dizendo:
- Dê um tempo ao tempo, fique quieto uns dias no seu ninho, meu passarinho!
E foi o que o passarinho fez. Voltou para o seu ninho e deixou o tempo passar, bem quietinho.
O tempo passou. Ele sarou e aprendeu a voar bem direitinho.
E no seu primeiro vôo sozinho, levou uma flor para o seu amigo riozinho. Ele agradeceu com um sorriso claro.


- O tempo cura tudo. É só dar tempo ao tempo, amigo passarinho.